domingo, 4 de janeiro de 2026

Wicked For Good

E ai que depois de viagem, gripe, CCXP, fim de ano, outra gripe, eu finalmente vi Wicked For Good. E aqui vai a minha review, mas antes dela, quero dar o contexto da minha história com Wicked. Eu já tinha assistido na Broadway “O Fantasma da Ópera”, “Rei Leão” e “The Book Of Mormon” antes de assistir Wicked, mas nada eu tinha achado tão incrível como quando a gente ouve falar de Broadway. E olha que eu era a criança que gostava de teatro. E no final de 2013 eu fiz uma excursão com um grupo de senhoras pra Nova York pra fazer compras de Black Friday e a agência de turismo me deu algumas opções de Broadway que ou não conhecia ou que não tinha interesse. Quando li por alto a sinopse de Wicked e vi que tinha uma ligação com “O Mágico de Oz” surgiu o interesse porque era algo conhecido e fui lá e assisti. E sai do teatro maravilhada. E pensei: é isso que transforma a Broadway em referência de teatro. E desde então já vi diversas vezes da Broadway em diversos anos, vi a versão de 2016 que veio pro Brasil uma vez ao vivo e uma vez em vídeo. A versão brasileira de 2023 eu cheguei a comprar ingresso, mas como meu pai estava internado, não tive como ir a São Paulo. E a versão de 2025 assisti 6 vezes ao longo do ano. Estão é uma história que está na minha vida há mais de 10 anos e que está muito presente (ainda mais se contar que a versão brasileira de 2025 virou referência pra Broadway).

E ai cada um tem a sua teoria de em qual momento Wicked pega o público. “Defying Gravity” é minha música preferida e claro um momento muito especial, mas Wicked me pegou no tempo de comédia de “Popular”. Há quem diga que em "No One Mourns the Wicked" a gente já sabe se a Glinda escalada vai funcionar porque pra população de Oz a Glinda tem que parecer feliz em dar a notícia de que a Elphaba morreu, mas o público tem que sentir um tom de tristeza na voz dela. Mas opiniões a parte, a grande maioria do público prefere o primeiro ato do que o segundo. Fato. E ai que acho que começam os problemas do 2 filme.

A Isabela Boscov disse no vídeo dela de Wicked For Good que “tem uma enorme pedra no caminho de Wicked Parte II e que a ironia foi que quem colocou essa pedra lá foi a primeira parte de Wicked que terminou com aquele final absolutamente épico” e eu concordo discordando. Porque veja, o primeiro ato é de fato mais alegre. E eu acredito que muita gente como eu não botava nenhuma fé essa história fosse funcionar igual no teatro, mas eles tiveram a ideia genial de colocar a Elphaba criança vendo a Elphaba adulta cantar “Defying Gravity”. Ok, o filme já tinha me ganhado em “One Short Day” quando a Idina Menzel e a Kristen Chenoweth aparecem. A reprise de “Dancing Through Life” é emocionante, mas ela já é emocionante na peça. E ai me permitam dizer a verdade, a gente estava tão impactado com o cenário, com os figurinos, com as coreografias, com as surpresas e com a direção do Jon M. Chu e com a voz da Cynthia Erivo que a gente não parou muito pra prestar atenção nas atuações de fato e na química daqueles atores. Era tudo tão extasiante de um filme que a gente esperou tanto pra ver que no primeiro filme a coisa da atuação e química foi deixada em segundo plano. No segundo ato não tem o que inventar que não faça a gente perceber os erros já cometidos no primeiro filme. E aí vai ser muito difícil eu falar do filme sem citar a nossa versão de palco de 2025. Afinal a gente tem Karin Hils no elenco. Mas não só pelos voos, mas o nosso elenco de 2025 é muito especial e tem muita química. E a falta de química dos atores em Wicked For Good fica nitidamente visível. Porque é praticamente um trisal que tem que funcionar em química. E veja o Jonathan Bailey tem química com todo mundo, mas com a Cynthia Erivo não funcionou. Assim como a gente se esquece que antes da Nessarose se transformar na bruxa má do Leste, a Elphaba tinha um carinho / culpa por ela. E se você voltar e reassistir o primeiro filme depois de ver o segundo vai ser que é zero entrosamento em cena da Cynthia com a Marissa Bode. Que o extasse do primeiro filme não deixa a gente perceber isso. E pra não ser injusta, acho que a Cynthia não é único problema dessa escalação. Acho que se o Jon Chu tivesse escalado uma atriz que não quisesse tanto o papel da Glinda em vez da Ariana Grande, possivelmente a gente teria uma Glinda mais caricata que a gente gosta tanto de ver no teatro e que a Fabi Bang faz maravilhosamente aqui no Brasil. E se tivesse escalado uma atriz que não se levasse tão a sério como Elphaba, a gente teria uma Elphaba menos travada. Porque a conexão da Glinda e da Elphaba existe, mas e os outros personagens? Mas como um perfeito mágico de Oz, Jon M. Chu iludiu a gente no primeiro filme achando que era sim a escalação perfeita. Mas como qualquer ilusionista deveria saber que não ia durar muito tempo. Até porque o 2 ato é muito mais denso.



As cenas que eu mais aguardei foram o Fyero e a Elphaba na floresta e a cena de “For Good”. For Good assim como todas as cenas da Glinda e da Elphaba tem muita emoção e é muito bonita, mas a cena da floresta não preciso nem dizer que zero química entre Fyero e Elphaba. “As Long as You're Mine” em si é cantada belíssima, mas o casal não funciona. Fora que a direção do musical de palco como a Myra Ruiz já disse uma vez numa entrevista é: eles estão fazendo sexo na floresta (e eu digo isso porque no original da Broadway é muito na entrelinha) e no filme ela coloca um casaco em vez de tirar!?! Não gostei muito das coisas que mexeram no roteiro porque eu entendo que pro palco coisas em aberto funciona, mas pro filme, não... Mas ainda assim falta equilíbrio nas falas da Nessa. As músicas novas eu já sabia que não ia gostar. Ahhhh, mas foi o Stephen Schwartz que escreveu também as novas músicas. Eu não me considero a mesma pessoa de 2 anos atrás... Cê acha mesmo que o Stephen Schwartz ainda é o mesmo depois de mais de 20 anos. A música da Elphaba não é de todo mal, mas a música da Glinda é totalmente insuportável.E gosto da versão de palco que deixa no ar se a Glinda sabe ou não que a Elphaba está viva. Daria 3 estrelas, mas como me fez enxergar os erros do primeiro filme, dou 2 estrelas.

No mais é isso. Amor a todos,
Lilly Krug

Minha avaliação:

Dirigido por: Jon M. Chu
Roteiro de: Winnie Holzman, Dana Fox e Winnie Holzman
Mísicas por: Stephen Schwartz
Baseado no livro de: Gregory Maguire

2 comentários:

  1. Amando que estou lendo um blog! S2 é que vc está escrevendo!!!!!!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Vero... Estou escrevendo... E na verdade eu nunca parei de escrever... Mesmo no instagram eu escrevia textos enormes que ninguém lia... Mas como te disse a questão do meu livro é mais que escrever, é mexer nas "caixinhas" que eu tanto evito, mas que hora ou outra eu cito na terapia. Ah, amiga, de verdade eu queria ir embora... Pesei o clima, né? Mais uma vez, desculpa. Love u. Beijos...

      Excluir